segunda-feira, 19 de maio de 2008

Zuzu Angel


Eu já tinha ouvido falar nesse nome. Em um livro que ganhei sobre a vida de Chico Buarque, um capítulo de 2 páginas é dedicado a amizade dele com Zuzu. Lembro-me de ter achado muito forte o que li, o teor do último bilhete que ela deixou para Chico. Mas passado uns 6 meses dessa leitura, confesso que eu pouco lembrava do pouco que eu conhecia da história de Zuzu.

Até que ontem, graças a uma gripe chata pra caramba, fiquei o domingo todo na cama vendo futebol e depois um filme: Zuzu Angel. A crítica de cinema não gosta muito dessa obra. Diz que as atuações não são aquelas coisas, que a direção não é tão boa, que o foco do roteiro não foi bom. Sei lá. Não concordo, nem discordo. Mas adorei o filme. Talvez eu goste tanto por não tê-lo visto como um filme. Mas sim como uma triste história do nosso país. O que li da crítica sobre o filme diz que ele é muito pequeno pra Zuzu, que diminui o mito. Bom, eu passei a ser fã dessa mulher. Não me lembro de nenhuma brasileira que seja maior símbolo de mãe que Zuzu Angel.

Para quem (como eu até ontem) não viu e não sabe quase nada da história dessa mulher, ela era uma cidadã ideal para os moldes do Regime Militar por um tempo. Era uma costureira de classe média que em pouco tempo se tornou a maior estilista do Brasil ao mesmo tempo que seu filho, Stuart Angel, militava pela democracia. Mas os milicos-filhos-da-puta prenderam Stuart, torturaram e mataram-o. Zuzu soube disso. Mas os MFDP continuavam fingindo que ele estava foragido, colocando cartazes de “procurado” com o rosto do rapaz. Zuzu só queria enterrar o filho. Mas ele já estava no fundo do mar. Por 5 anos, Zuzu teve a coragem que era de seu filho e lutou contra a ditadura de todas as formas que conseguiu.

No dia 23 de abril de 1975, Zuzu deixou um bilhete para Chico que dizia: ”(...)Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”. Um ano depois, no dia 14 de abril de 1976, o “acidente” que ela previu aconteceu.

O filme não é novo. É de 2006 e já está passando na Net. Se ainda não viu, não perca.

Letra de Angélica (música que Chico compôs em homenagem à amiga):

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar