

Até que ontem, graças a uma gripe chata pra caramba, fiquei o domingo todo na cama vendo futebol e depois um filme: Zuzu Angel. A crítica de cinema não gosta muito dessa obra. Diz que as atuações não são aquelas coisas, que a direção não é tão boa, que o foco do roteiro não foi bom. Sei lá. Não concordo, nem discordo. Mas adorei o filme. Talvez eu goste tanto por não tê-lo visto como um filme. Mas sim como uma triste história do nosso país. O que li da crítica sobre o filme diz que ele é muito pequeno pra Zuzu, que diminui o mito. Bom, eu passei a ser fã dessa mulher. Não me lembro de nenhuma brasileira que seja maior símbolo de mãe que Zuzu Angel.
Para quem (como eu até ontem) não viu e não sabe quase nada da história dessa mulher, ela era uma cidadã ideal para os moldes do Regime Militar por um tempo. Era uma costureira de classe média que em pouco tempo se tornou a maior estilista do Brasil ao mesmo tempo que seu filho, Stuart Angel, militava pela democracia. Mas os milicos-filhos-da-puta prenderam Stuart, torturaram e mataram-o. Zuzu soube disso. Mas os MFDP continuavam fingindo que ele estava foragido, colocando cartazes de “procurado” com o rosto do rapaz. Zuzu só queria enterrar o filho. Mas ele já estava no fundo do mar. Por 5 anos, Zuzu teve a coragem que era de seu filho e lutou contra a ditadura de todas as formas que conseguiu.
No dia 23 de abril de 1975, Zuzu deixou um bilhete para Chico que dizia: ”(...)Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”. Um ano depois, no dia 14 de abril de 1976, o “acidente” que ela previu aconteceu.
O filme não é novo. É de 2006 e já está passando na Net. Se ainda não viu, não perca.
Letra de Angélica (música que Chico compôs em homenagem à amiga):
Quem é essa mulherQue canta sempre esse estribilho?Só queria embalar meu filhoQue mora na escuridão do marQuem é essa mulherQue canta sempre esse lamento?Só queria lembrar o tormentoQue fez meu filho suspirarQuem é essa mulherQue canta sempre o mesmo arranjo?Só queria agasalhar meu anjoE deixar seu corpo descansarQuem é essa mulherQue canta como dobra um sino?Queria cantar por meu meninoQue ele já não pode mais cantar
Eu costumo repugnar curitibocas que dizem que a capital anti-social é um pedaço de Europa no Brasil. Mas, como diz o clichê, toda regra tem exceção. Nos dias de carnaval, Curitiba é sim um pouquinho Europa. No lugar das escolas de samba, dos trios elétricos, dos bonecos de Olinda, o que se vê é o vazio da cidade. O que se ouve, ao invés de samba, axé ou frevo, é o silêncio. Alguns desavisados chegam a acreditar que haverá desfile de escolas de samba aqui, quando, na verdade, isso é apenas uma grande piada que os telejornais contam. O que há é uma pequena sátira ao carnaval que dura apenas algumas horas. E acaba no sábado, mesmo.
“Gostava apenas de ficar sentado em uma cadeira de praia observando as crianças brincarem n’água, e de vez em quando olhando para o mar onde nosso lindo barco estava ancorado. Realmente era como um sonho.” Acabo de ler Eric Clapton – A Autobiografia (Planeta, 2007). Um livro corajoso de um grande homem. Eric sobrevive às drogas, ao álcool, às inúmeras e grandes perdas. Eric estourou com sua música, entrou em decadência, mas provou que era gênio. Eric roubou esposa de amigo, transou com uma mandingueira picareta para ter a esposa de volta e, aos 54 anos, fez a “primeira escolha saudável” de uma parceira. Mas o trecho que destaquei lá em cima é o que considero a grande vitória de Clapton. É o sublime momento de observar as filhas brincando na praia.
Grande Eric. Grande livro.
Faz tempo que não atualizava esse blog. Mas o cedê solo da Fernanda Takai (Onde Brilhem os Olhos Seus) merece meu sincero elogio.